Algumas personalidades guineenses divergem em relação à inclusão de nome do actual presidente da República, Umaro Sissoco Embalo, na concepção da medalha Amílcar Cabral, mais alta distinção do país.
Ontem o presidente Embalo concedeu, por decreto, a medalha Amílcar Cabral, a mais alta distinção do país, a seis personalidades que lideraram o Estado guineense até aqui, incluindo a si próprio.
Em entrevista esta manhã (23) à radio Sol Mansi, o presidente do Movimento Nacional da Sociedade Civil para Paz e Democracia, Fodé Caramba Sanha defendeu que há lógica o envolvimento do nome de actual chefe do Estado, nesta distinção justificada no decreto.
“De facto há logica, porque se um presidente da República em função quer agraciar a medalha da ordem nacional aos outros, primeiro ele tem que estar naquela estatura. Só que a forma de distinguir deve ser pelo parlamento, porque o parlamento é que lhe investiu como chefe de estado”, justifica.
Já o politólogo guineense, Rui Jorge Semedo, igualmente comentador permanente dos assuntos políticos da rádio Sol Mansi, considerou de muito deselegante o envolvimento de nome de actual presidente da República, uma vez que não tem muito tempo para justificar o seu desempenho ao cargo assumido em finais de fevereiro.
“É muito deselegante e acaba por banalizar aquela personalidade que tem o nome da medalha que é Amílcar Cabral. Ficaria correto ou mais bem entendido quando era um outro presidente que lhe reconhece pelo papel desempenhado ao longo do seu mandato. Ele [Umaro Sissoco Embalo] começou o mandato ou seja, assumiu o poder nos finais de Fevereiro e início de Março, e de Março para cá, homenagear a si mesmo é um pouco incompreensivo pelo que foi narrado no decerto. De fevereiro até aqui ninguém pode assinalar o que actual presidente fez para merecer a condecoração da mais alta distinção da República da Guiné-Bissau”, criticou o politólogo.
Em cerimónia solene a ter lugar numa data a indicar, serão atribuídas a medalha Amílcar Cabral a Luís Cabral, João Bernardo “Nino” Vieira, Kumba Yala, Malam Bacai Sanha, todos já falecidos, José Mário Vaz e Umaro Sissoco Embalo.
No entender do presidente do Movimento Nacional da Sociedade Civil, atribuição da medalha Amílcar Cabral, devia ser estendida aos prisioneiros políticos de Tarrafal.
A decisão de agraciar as seis personalidades com a mais alta distinção do país foi aprovada pelo Governo, na sua reunião do Conselho de Ministros.
Por: Braima Sigá