Em entrevista à Rádio Sol Mansi, o presidente da Comissão Organizadora da Conferência Nacional de Reconciliaçãotendo avançou que a eficacidade da Conferência Nacional dependerá muito da qualidade de preparação ao nível nacional e na diáspora até à sua materialização efetiva, prevista para o mês de Novembro de 2016.

"Considerando a nossa história remota e recente, o processo de Reconciliação na Guiné-Bissau é extremamente complexo e complicado. Os guineenses caminham sobre as brasas, as chamadas "minas nos corações", sujeitos ao rebantamento em qualquer momento", disse Padre Domingos da Fonseca.

Nessa perspectiva,segundo afirma, a Reconciliação dos guineenses é um processo terapêutico, um processo de cura, de libertação, cujo fator tempo assume uma importância capital. Disse ainda que ninguém pode reconciliar as pessoas que não têm a consciência dos beneficios de uma reconciliação, que não a sentem como uma exigência vital para a vida individual e comunitária.

O presidente da Comissão assegurou que no plano humano e psicológico, uma pessoa normal não se sente bem com sentimentos de ódio, inveja e ajustes de contas contra alguém.

"Tanto o ofensor como ofendido, não se sentem bem na própria pele. "Kalabus di kabesa mas kil di kuatru paredi", na bon kriol di Geba. Quem vive mergulhado na negatividade é um doente e precisa de uma terapia forte, condição absolutamente necessária para uma vida humana sã e equilibrada", concluiu.

Este responsável assegurou que um dos objetivos deste processo é fazer com que todos os guineenses se apropriarem do processo da realizaçao da Conferência Nacional e a descobrir o valor e os benefícios da reconciliaçao, razão pela qual elaboraram um cronograma de atividades (Capitalização e Consolidação dos trabalhos já realizados no domínio da Consolidação da Paz e Desenvolvimento, o processo de Restituição, Validação e Atualização do Relatório de Consultas, Troca de Experiências e Estudos no terreno, Estratégias de Comunicação e Sensibilização).

Entretanto, apontou que o modelo de reconciliação a ser usado neste trabalho vai ser escolhido pelos delegados depois de uma análise aprofundada das causas de conflitos violentos na Guiné-Bissau e suas consequências.

"Os delegados escolherão a tipologia e os mecanismos apropriados para o Processo de Reconciliação no país", explicou.

Padre Domingos da Fonseca afirma ainda que, entre tantos mecanismos, por exemplo audiências de reconciliação entre vítimas e pessoas que cometeram crimes, com amnistia e/ou perdão, amnistia e julgamentos de crimes graves (Timor Leste), apuramento da verdade e registo histórico, memorialização –construção de monumentos, compensações para as vítimas, reconciliação comunitária, tribunais nacionais especiais, tribunais internacionais, comissão de inquérito internacional, na Conferência, os guineenses decidirão quais correspondem melhor à realidade histórica e social do país.

"É a partir daí que se criará, um organismo que assumirá o compromisso de acompanhar todo o processo de Reconciliação do povo guineense", concluiu.

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