GUINÉ-BISSAU HÁ 13 ANOS SEM REALIZAR O CENSO POPULACIONAL
O Técnico do Instituto Nacional da Estatística e igualmente coordenador do processo de Recenseamento - Geral da População e Habitação (RGPH), alerta para a possibilidade de o país não poder mais uma vez, realizar o censo populacional, tudo porque o país não dispõe de recursos suficientes.
Em situação normal, o processo de recenseamento deve ser realizado em cada 10 anos, sendo que o ultimo do país decorreu em 2009 e o seguinte, deveria ocorrer em 2019, mas tal não se concretizou, devido as dificuldades técnicas e financeiras, incluindo outros entraves colocados a nível mundial, como é o caso da pandemia da Covid - 19.
Estas informações foram avançadas pelo coordenador do processo de Recenseamento Geral da População e Habitação, Suandi Camará, num debate realizado na RSM, promovido pela Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) onde se falou do marco de 8 bilhões de habitantes da terra.
“Desde 2019 tínhamos começado um processo para a realização do RGPH e ainda continuamos com o mesmo processo e já temos toda a documentação necessária para iniciar o processo em 2023, mas tudo indica que estamos atrasados em relação ao processo. Porque temos falta de recursos atempados para que o processo a cartografia seja realizado desde 2021, por isso digo que estes atrasos vão comprometer a recenseamento do RGPH para 2023”, explica.
Ele disse que o recenseamento será realizado “provavelmente só em 2024”.
Já da parte do FNUAP que é o parceiro do governo que coadjuva na solicitação dos fundos necessários, Orlando Monteiro, que é o conselheiro técnico para o Recenseamento - Geral da População e Habitação, alerta que é importante a realização do censo, para que o governo possa elaborar da melhor forma possível o seu plano para o desenvolvimento nacional.
“Temos que elaborar e realizar as projeções demográficas para que o governo possa ter informações durante todo o período intercensitário. É muito importante realizarmos o RGHP no período estipulado para que possamos ter os números certos para que o governo possa tomar decisões”, enfatiza.
Na mesma entrevista, Antónia Gomes, da direção Geral do Plano, disse que, devido à não atualização das estatísticas populacional, o país está a ter dificuldades em apresentar relatórios internos e internacionais.
“Estamos a fazer um trabalho para a apresentar a União Africana que realiza um balanço sobre a primeira década da agenda 2063, mas carecemos de informações porque o RGPH não se realizou desde 2009 e existe escassez de dados”, sustenta.
Antónia lembra ainda que para ter os dados estatísticos fiáveis é preciso a realização dos recenseamentos populacionais regulares e ainda os inquéritos necessários para se dispor de informações importantes.
No entanto, estes técnicos disseram ser importante, que o país efetue o recenseamento-geral da população, porque atualmente já é de conhecimento de todo mundo, o número exato da população a nível mundial, e, no caso da Guiné -Bissau, não existem dados sobre o número exato, nem como é que estão divididos por distritos.
O recomendado é que o RGPH seja feito a cada dez anos, mas a Guiné-Bissau já está com 13 anos de atraso. Fontes disseram ainda, que esta situação está a dificultar o país em conseguir apoios, inclusive financeiros para o apoio à classe juvenil.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos
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