Centenário de Dom Settimio e Cabral: PADRE LEMBRA QUE DOIS LÍDERES ENTENDERAM QUE A DIGNIDADE DA VIDA DO POVO E O SEU DIREITO DE SER PROTAGONISTA DO SEU DESTINO ERAM INEGOCIÁVEIS
O padre Domingos Cá afirmou que a celebração do centenário de Dom Settimio e de Amílcar Cabral estimula todos a acreditarem que, apesar da tempestade do momento atual no país, ainda é possível ver o povo guineense livre da cultura da morte, da mentira, da opressão, do medo, da violência, da vingança, da pobreza e da miséria.
O padre falou neste sábado durante a Peregrinação Mariana 2024, em nome da Comissão que organizou as atividades das celebrações do centenário de Dom Settimio Arturo Ferrazzetta, o primeiro bispo da Guiné-Bissau.
Domingos Cá destacou que é possível, se estivermos radicados na verdade que salva e liberta, fazer triunfar na Guiné-Bissau a cultura da vida sobre a cultura da morte e "restituir ao povo guineense a dignidade de seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus – Deus que é Amor, Deus que é misericórdia".
O padre ressaltou ainda que a Guiné-Bissau precisa de líderes que possam orientar o povo a dar o seu melhor para uma efetiva reconciliação no país.
"Na verdade, o maior testemunho de liderança intelectual, política e religiosa que Dom Settimio e Amílcar Cabral deixaram como herança ao mundo e, em particular, à Guiné-Bissau, foi a sua disposição de morrer pelo bem do próprio povo e da humanidade", afirmou o padre, lembrando que os dois líderes entenderam que a sacralidade e a dignidade da vida do seu povo, bem como o direito de ser protagonista do seu destino, eram inegociáveis.
"Não tinham preço, não estavam à venda. Hoje, infelizmente, tudo tem preço nesta terra, inclusive a nossa consciência, a nossa própria vida, que é algo de mais sagrado e o único que possuímos", enfatizou.
O padre Domingos Cá afirmou que a celebração do centenário de Dom Settimio e do fundador da nacionalidade guineense, Amílcar Cabral, reflete a necessidade de todos caminharem em busca de paz, justiça e liberdade e, "sobretudo, a construção de uma sociedade na qual, como dizia São Paulo VI, o desenvolvimento do povo da Guiné seja o novo nome da paz, da justiça e da liberdade".
O padre destacou ainda que tanto o falecido Bispo Settimio quanto o fundador da nacionalidade guineense, Amílcar Cabral, lutaram e deram suas vidas pela Guiné-Bissau, sendo exemplos para muitos.
Os dois líderes nasceram no mesmo ano e morreram no mesmo mês; se estivessem vivos, teriam completado 100 anos.
BEATIFICAÇÃO DE DOM SETTIMIO FERRAZZETTA
A Comissão Organizadora para a celebração do centenário de Dom Settimio Arturo Ferrazzetta solicitou às duas dioceses do país e à Custódia de São Francisco de Assis que iniciassem o processo para a beatificação daquele que foi o primeiro bispo da Guiné-Bissau.
Para o padre Domingos Cá, o processo de beatificação do falecido bispo seria um impulso às comunidades cristãs guineenses, que muitas vezes buscam pelo exemplo de vida.
Em relação ao início do processo de beatificação de Dom Settimio, o administrador diocesano da Diocese de Bafatá, padre Lúcio Brentegani, disse que é importante que esse desejo se realize, pois todos já reconhecem a santidade do falecido bispo, que é um testemunho de paz e evangelho.
As Dioceses de Bissau e de Bafatá foram solicitadas a iniciar o processo para a beatificação de Dom Settimio Arturo Ferrazzetta, que trabalhou na implementação da paz e da reconciliação nacional, dando sua vida pela paz na Guiné-Bissau, especialmente durante a guerra civil de 7 de junho de 1998. Mesmo estando doente, decidiu permanecer no país tentando unir as partes em conflito.
Dom Settimio Arturo Ferrazzetta faleceu em janeiro de 1999, durante a guerra civil de 7 de junho, deixando vários legados que impactaram a vida religiosa, social, econômica e acadêmica dos guineenses.
Dom Settimio Arturo Ferrazzetta era missionário franciscano, nasceu no dia 8 de dezembro de 1924, na Itália, e foi ordenado sacerdote em Veneza no dia 1º de julho de 1951, com 27 anos. No dia 21 de março de 1977, foi nomeado primeiro Bispo da Guiné-Bissau pelo Papa Paulo VI e ordenado bispo no dia 19 de junho de 1977.
Por: Rádio Sol Mansi
- Created on .

