CEA. INSEGURANÇA ALIMENTAR É UM DESAFIO ESTRUTURAL EM ÁFRICA QUE AFECTA 20% DA POPULAÇÃO DO CONTINENTE
A diretora da Comissão Económica para a África (CEA) escritório na África Ocidental afirmou que a insegurança alimentar é um desafio estrutural em África que afecta 20% da população do continente, em comparação com 9,8% a nível mundial.
Neste contexto, diz Ngone Diop, três imperativos são essenciais: aumentar a produtividade agrícola e de cereais, mobilizar mais recursos internos e acelerar a implementação da Zona de Livre Comércio Continental Africano (zlecaf) que é a âncora para reduzir a pobreza e acelerar a transformação estrutural.
A responsável falava na reunião de especialistas ontem (1 de Novembro) em Acra, Gana organizado pelos escritórios da Comissão Económica para a África (CEA) no Norte e Oeste da África, sob o tema “Transição para recursos”
Organizada no âmbito do segundo Comité Misto Intergovernamental de Altos Funcionários e Peritos (CIHFE) para a África do Norte e Ocidental, a reunião foi uma oportunidade para examinar o impacto das alterações climáticas em duas sub-regiões, medidas práticas capazes de permitir aos países adaptarem-se e preservar a sua segurança energética e alimentar, protegendo e acelerando ao mesmo tempo o seu desenvolvimento.
Na mesma ocasião, a diretora do escritório da CEA para Norte de África, Zuzana Brixiova Schwidrowski explicou que no Norte de África, estima-se que a falta de água corre o risco de afectar até 71% do PIB e 61% da população, em comparação com 22 e 36% no resto do mundo.
“No entanto, as alternativas continuam possíveis ao contar com recursos renováveis, podemos não só enfrentar estes desafios, mas também acelerar o desenvolvimento económico e social sustentável da região, bem como a redução da pobreza, a criação de emprego e a equidade social”, acrescentou.
Apesar da sua modesta contribuição para as alterações climáticas, o continente africano é hoje particularmente afectado por elas: hoje, 17 dos 20 países mais ameaçados pelas alterações climáticas estão em África. O fenómeno já custa 2 a 9% dos orçamentos nacionais [1] em todo o continente. De acordo com o último relatório do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), o Norte de África e a África Ocidental são particularmente vulneráveis, prevendo-se um aumento das temperaturas entre 1,5°C e mais de 3°C, dependendo dos cenários considerados, ameaçando particularmente a saúde, produtividade e segurança alimentar das populações.
Perante esta situação, os países africanos são forçados a redireccionar uma parte crescente das suas finanças públicas para esforços de mitigação e protecção das suas populações, privando-se assim dos recursos necessários para financiar o seu desenvolvimento e proteger os ganhos de desenvolvimento e implementação dos Objetivo Desenvolvimento Sustentável.
Estas limitações sublinham a necessidade crucial de os países africanos desenvolverem modelos de crescimento inovadores capazes de preservar e aumentar o bem-estar das populações, adaptando-se simultaneamente às alterações climáticas e contribuindo para o seu abrandamento.
A reunião, que contou com a participação de especialistas, investigadores, profissionais de desenvolvimento e representantes de 22 países da África do Norte e Ocidental, centrou-se em três questões cruciais:
O impacto das alterações climáticas e as alterações que estas implicam em termos de estratégias de desenvolvimento económico e social;
A segurança energética face aos desafios associados às alterações climáticas e, em particular, ao papel determinante das energias renováveis na satisfação das necessidades das populações;
E, finalmente, como o comércio intra-africano pode facilitar e acelerar a transição energética e agrícola, em particular contribuindo para o fortalecimento da segurança alimentar dos países e facilitando o surgimento de cadeias de valor agrícolas sub-regionais.
Tantos modelos que levariam em conta a gestão adaptada do solo e da água no âmbito da agricultura sustentável; a utilização de energias renováveis para cobrir as necessidades energéticas nacionais em áreas tão diversas como transportes, indústrias, aquecimento, refrigeração, e finalmente o estabelecimento de modelos de financiamento capazes de satisfazer estas necessidades.
Por. Nautaran Marcos Có
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