MÉDICO EPIDEMIOLOGISTA ALERTA QUE HEPATITE B ATINGE NÍVEIS ALARMANTES NA GUINÉ-BISSAU, COM 1 EM CADA 5 PESSOAS INFETADA
O médico epidemiologista Ezequiel Bartolomeu Silva alertou que a situação da Hepatite B na Guiné-Bissau é considerada uma das mais graves do mundo, atingindo cerca de 19% da população, um número três vezes superior à média da África Subsaariana (6,5%) e quase cinco vezes acima da média global (4,1%).
Em entrevista concedida esta sexta-feira à Rádio Sol Mansi, o epidemiologista sublinhou que estes dados significam que quase um em cada cinco guineenses vive com o vírus, colocando o país entre os mais afetados a nível mundial e configurando uma grave ameaça à saúde pública.
Segundo explicou, a Hepatite B crónica pode evoluir de forma silenciosa durante anos, culminando em cirrose, cancro do fígado e morte prematura, o que agrava significativamente a pressão sobre um sistema de saúde já fragilizado.
Enquanto investigador, Ezequiel Bartolomeu Silva defende a introdução da vacina contra a Hepatite B ao nascer no Programa Nacional de Vacinação, uma prática de rotina já adotada em dezenas de países.
Antes da sua introdução formal, o especialista considera necessária uma avaliação científica da vacina, a ser conduzida pelo Projeto Saúde de Bandim, de modo a garantir a sua segurança, eficácia e adequada adaptação ao contexto nacional.
“Atualmente, os bebés guineenses só recebem a primeira dose da vacina contra a Hepatite B às seis semanas de vida. Este intervalo cria um período crítico sem proteção, precisamente quando o risco de infeção e de evolução para doença crónica é mais elevado”, afirmou.
O epidemiologista destacou ainda que vacinar ao nascer é uma das medidas mais eficazes e imediatas para conter a epidemia no país, sublinhando que a raiz do problema está na infância.
Embora muitos dos casos crónicos atuais se manifestem em adultos, o investigador explicou que as infeções adquiridas nos primeiros anos de vida têm muito maior probabilidade de se tornarem crónicas. A transmissão vertical (mãe-filho) e a transmissão horizontal entre crianças pequenas explicam grande parte da elevada prevalência observada atualmente.
Na mesma entrevista, Bartolomeu Silva recordou que muitos guineenses nascidos em países como Portugal e Brasil já recebem a vacina contra a Hepatite B logo ao nascer, o que demonstra que a medida é segura, eficaz e alinhada com as melhores práticas internacionais.
Para o epidemiologista, a introdução da vacina contra a Hepatite B ao nascer não é apenas recomendável, mas crucial para inverter o atual quadro epidemiológico na Guiné-Bissau e proteger as próximas gerações.
Por: Ussumane Mané

