MENINA DE 13 ANOS MORRE APÓS SEGURAR CABO ELÉTRICO DEIXADO NO CHÃO POR TÉCNICOS DA EAGB
Uma criança de 13 anos morreu eletrocutada, em Cumura, depois de assegurar num cabo elétrico deixado no chão sem proteção e alerta, por técnicos da Empresa de Luz e Água da Guiné-Bissau (EAGB). Segundo o que podemos confirmar, a corrente estava em 221 volts.
A tragédia aconteceu, ontem (12), por volta das 18h30 (da Guiné-Bissau), na seção de Cumura, setor de Prábis, região de Biombo, quando, segundo relatos, uma menina de 13 anos agarrou nos fios deixados no chão sem proteção e nem sinal de alerta e acabou por ser eletrocutada.
Segundo informações, os cabos ainda continuam no chão, apenas com a fita colocada pelos próprios populares que tentam isolas a área.
A Rádio Sol Mansi esteve no local e falou com um testemunho que socorreu a criança nos primeiros momentos e ele disse que foi encontrada sem vida no local.
Apolinário Sanca disse-nos que ele foi alertado por uma criança que estava de passagem e “quando cheguei vi a criança sem vida e algumas outras pessoas ajudaram-me e conseguimos tirá-la no local, mas ela não apresentava os sinais de vida, pois, o coração não estava a bater”.
“Mesmo assim, levamos a criança ao hospital e depois a morte foi confirmada”, afirma.
O testemunho explica ainda que ligaram para o técnico da EAGB que responde por Alai, que é o responsável por esta área, mas ele chegou muito agressivo dizendo que os cabos não tinham corrente e começou a acusar as pessoas de serem feiticeiros e de terem matado a criança.
“Como aqui estavam centenas de pessoas, os jovens queriam agredir o técnico da EAGB mas felizmente a situação foi controlada”, confirma.
“Depois foram solicitados a presença dos técnicos que depois na frente do administrador mediram e acabaram por confirmar que o local tinha corrente e depois disso o mesmo técnico que estava a acusar as pessoas acabou por admitir que afinal havia corrente. E, acabou por chegar uma outra equipa da EAGB que também confirmou que os cabos tinham a corrente elétrica”, explica.
Apolinário confirma que a própria população teve a ideia de isolar o local onde o cabo foi deitado, porque até na manhã desta segunda-feira os cabos continuavam no chão colocando a vida das pessoas.
A Rádio Sol Mansi falou com Fernando Tchuda, técnico da parte elétrica do hospital de Curuma, que ao colocar os aparelhos específicos acabou por confirmar que os cabos realmente tinham a corrente.
“Isso é muito grave e um técnico não pode colocar um cabo assim no chão sem ter feito experiência. O cabo tinha corrente e posso confirmar que a criança foi eletrocutada”, confirma.
Segundo Fernando Tchuda, os técnicos que estão a trabalhar na zona estão a fazer um bom trabalho mas não podem deixar cabos soltos no chão.
“O que posso dizer é que não são técnicos da área, porque não sabem as consequências da corrente elétrica, pois se não saberiam que não podem deixar cabos soltos no chão”, lamenta Tchuda que também confirma que os técnicos da EAGB não deixaram sinais no local, “porque se tivessem colocado sinais aqui até uma criança inocente não conseguiria chegar no local”.
“Isso é muito grave mesmo”.
Segundo informações, os técnicos da EAGB estiveram no local, mas não conseguiram resolver a situação alegando a falta de segurança porque “a população estava revoltada”.
A RSM falou com um dos responsáveis da EAGB que informou que os técnicos foram enviados ao local para confirmar a situação, mas preferem gravar a entrevista só num outro momento.
Por: Rádio Sol Mansi / Jacinto Monteiro
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