Clima: TEMPERATURAS ESTÃO IMPACTAR A PRODUÇÃO DA CASTANHA DE CAJU NA GUINÉ-BISSAU

Os efeitos climáticos extremos provocados pelo aumento das temperaturas vão impactar este ano a produção da castanha de caju, maior produto agrícola de exportação na Guiné-Bissau.

“A previsão que fizemos para exportação deste ano, era da média de 230 mil toneladas, mas dada ao contexto internacional, o efeito climático extremo, tem tido aumento da temperatura e isso tem o impacto na Guiné-Bissau, há zonas em que não temos grandes produção e pode impactar o resultado da produção para exportação, não queremos avançar ainda com dados mas acredito que não vamos chegar a 230 mil tonelada para exportação”, anuncia o director-geral do Comércio Interno da Guiné-Bissau, Abdulai Mané, em conferência de imprensa de balanço dos primeiros 60 dias da campanha de comercialização e exportação da castanha de caju.

O cultivo da castanha de caju na Guiné-Bissau está centrado principalmente nas regiões Norte e Leste, com uma pequena parte no Sul. Este ano a zona mais afectada devido ao aumento da temperatura é a zona Leste e uma parte da província Norte, sobretudo na região de Oio, porque a flor de caju secou.

No sector de Mansabá, região de Oio, o chefe da aldeia de Birongue, Califa Cissé, informou a Rádio Sol Mansi que a temperatura está impactar negativamente as suas produções de caju e da manga este ano, em declarações aquando da visita de campo no âmbito da formação de jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social do país sobre “Abordagem das Questões Relativas às Mudanças Climáticas pela média, organizado pelo projecto “Terra África”.

“A temperatura está muito elevada, começando nas plantações de mangas, estes da casa não produziram este ano devido a temperatura, as folhas e flores estão a ficar seca, mesmo com as plantações de caju, no ano passado neste momento ninguém estava em casa todo nas pomares mas, este ano, estamos apenas a encorajar uns aos outros mas, eu acho que é devido a alta temperatura que está a provocar isso”.  

Segundo dados de cultivo e de produção da Guiné-Bissau de 2022, a área de plantação de caju no país é de 330 mil hectares e o volume de produção é de 200 mil toneladas por ano.

Com a fraca produção este ano, devido ao aumento das temperaturas, Braima Mané, um dos agricultores de Birongue, aponta a mecanização agrícola como forma de fazer face à ameaça de fome severa naquela localidade, assim como no país.

“Estamos com a dificuldade e nós aqui na aldeia já tiramos a esperança na castanha de caju, porque o preço é péssima e não consegue nos sustentar durante o ano, o que achamos é voltar nas bolanhas para lavoura só que não temos a condições para lavoura, temos muito hectares de bolanhas para lavoura mas não temos a força física para explorar e garantir o sustento durante o ano, por isso, precisamos dos tractores para lavoura”. 

Em abril último, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) através do seu encarregado de programa na Guiné-Bissau, afirmou que o país tem todas as condições naturais para ser livre da fome e da pobreza”.

“A Guiné-Bissau tem todas as condições naturais para ser um país livre de fome e pobreza, é preciso promover investimento responsável na agricultura e nas transformações do sistema alimentares para alcançar o desenvolvimento sustentável e a modernização”, argumentou o responsável numa altura em que a tom de críticas tem aumentado no país sobre aumento do preço do arroz no mercado para consumidor final.

O setor agrícola enfrenta muitos desafios em função das mudanças climáticas globais, impactando negativamente as práticas de plantio em todas as regiões do mundo. Esse cenário afeta diretamente a economia mundial e a segurança alimentar.

De acordo com um estudo científico publicado o mês passado na revista Nature, a Guiné-Bissau encontra-se precisamente numa das regiões do mundo em que os impactos económicos das mudanças climáticas são maiores.

 

Por: Braima Sigá

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