ALUNOS MARCHAM MAIS UMA VEZ EXIGINDO INÍCIO DAS AULAS
Os alunos das escolas públicas acompanhados pelos das escolas privadas marcharam, esta quinta-feira (22), até ao palácio do governo, exigindo o direito à escola. Os estudantes com cartazes com “queremos ver os nossos resultados” e “povo i ka lixo (povo não é lixo) ”
A marcha começou às 8h30 (hora da Guiné-Bissau) e foi assegurada pela força de segurança que fechou uma faixa da estrada permitindo a passagem dos manifestantes. Durante a marcha não houve incidentes mas os alunos continuavam a gritar “Queremos ir às escolas como os seus filhos”.
Ao chegar no palácio do governo, depois de alguns minutos, o executivo tentou chamar os estudantes para negociação mas recusaram o convite dizendo que a marcha é “apenas para exigir o direito e o direito á escola é inegociável”.
Numa entrevista exclusiva á RSM, Bacar Mané, porta-voz dos estudantes, disse que os alunos estão cansados de ficar em casa e isso faz com tenham a intenção de entrar em “actos que não abonam a sociedade”.
“A vida humana deve ser acompanhada com a escola. Realizar a marcha nos dias da semana já é uma vitória”, enfatiza Bacar numa clara alusão a decisão do executivo em proibir as manifestações nos dias da semana, nas horas normais do expediente.
Badilé Sami, de uma das organizações estudantis promotoras da marcha, sustenta que os estudantes continuam preocupados porque as aulas estão paralisadas há mais de 30 dias facto que poderá fazer o ano livre.
“Nós sempre vamos manifestar pacificamente fazendo o mundo entender a nossa preocupação porque perdemos mais de 2 meses e isso não pode continuar. Para já as aulas devem começar”, exige.
Já para Sana Canté, do Movimento dos Cidadãos Conscientes e Inconformados, disse que enquanto as aulas não começarem as marchas terão lugar nos dias da semana atribuindo a responsabilidade dos governantes pela greve em curso no país.
“Vamos às escolas como os seus filhos. Não vamos poupar os nossos esforços em qualquer circunstância até a abertura das escolas e as marchas serão feitas durante a semana. A marcha não é desportiva mas significa tirar o sossego (dos governantes). Vamos tirá-los sossego quando estão nos seus locais de trabalho e quando todos os guineenses sintam perturbado com as nossas manifestações porque queremos ir as escolas”.

Entretanto, os participantes na marcha inclusive alunos das escolas privadas pedem o início das aulas nas escolas públicas.
“Quero que os meus irmãos vão às escolas porque estão cansados de ficar em casa”, disse uma criança de sete anos que estuda segunda classe numa das escolas privadas.
“Durante estes meses fico em casa e quando vejo outras pessoas irem pra escola fico muito mal, quero ir às escolas mas não posso. Estamos cansados e não queremos mais nada além das escolas porque os nossos governantes só comem o dinheiro do povo”, pedem dois alunos das escolas públicas.
“Na primeira manifestação fomos impedidos de manifestar e estou aqui para pedir ao ministério da educação a reabertura das escolas para que os meus irmãos possam estudar”, disse um outro aluno de 11ª classe de uma outra escola privada do país.

Ao contrário da semana passada, os manifestantes foram assegurados pelas forças de segurança. Em paralelo, na cidade de Bafatá (leste do país) também decorreu uma marcha dos alunos com o mesmo propósito.
A marcha convocada pelo colectivo de Associação de Alunos Das Escolas Públicas e Privadas, pela Federação das Associações Académicas das Escolas Superiores da Educação e pelo Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados.
Entretanto, em solidariedade aos alunos das escolas de autogestão de Mansoa e de Bissorã fecharam as suas portas até amanhã (22). Igualmente algumas escolas privadas do país fecharam as suas portas, a grande parte são as da cidade de Bissau
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Braima Sigá
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