A Rádio Sol Mansi começou as emissões em Mansoa, no dia 14 de Fevereiro de 2001, com um pequeno emissor de 250 Watts e uma área atingida de poucos quilómetros. A ideia surgiu de um missionário católico italiano, Padre Davide Sciocco, que estava naquela cidade durante a guerra de 98-99. Vendo que as rádios foram uma "arma" fundamental no conflito, e toda a população escutava "religiosamente" os programas e os convites a apoiar as diferentes partes, o seu pensamento foi este: “se a Rádio foi usada para favorecer a guerra, porque não fazer uma Rádio para favorecer a paz, a reconciliação e o desenvolvimento?”

A reação da população foi de grande entusiasmo e orgulho por ter uma rádio local. A maioria da população da zona começou a escutar regularmente a Rádio Sol Mansi.

Um sinal dessa satisfação foi o elevado número de voluntários que começaram a dar tempo e ideias para o funcionamento da estação. Para a reportagem, a técnica e a locução tivemos nesses anos mais do que 120 voluntários, mais outros colaboradores para programas específicos e correspondentes das paróquias.

Uma característica desde o começo foi a colaboração entre etnias e religiões: os voluntários eram quase 50 % muçulmanos e 50% cristãos, pertencendo a etnias diferentes. Desde o começo a Rádio oferece um espaço semanal para os Evangélicos e um para os Muçulmanos, além dos programas da Igreja católica, mas sobretudo há programas e debates juntos, como, por exemplo, foi no caso dos trágicos acontecimentos de Setembro 2001 nos Estados Unidos da América, onde foi realizado um programa conjunto de reflexão sobre as motivações do terrorismo islâmico e a reação dos crentes das diferentes religiões.

Em 2008 a Rádio Sol Mansi tornou-se a rádio nacional da Igreja Católica, com uma cobertura em todo o território nacional. Há 3 estúdios (Bissau, Mansoa e Bafatá) e 3 retransmissores (Canchungo, Catiò e Gabú). A dimensão inter-religiosa e interétnica continua.

 

Aposta na formação

A aposta na formação dos jornalistas e técnicos foi decisiva: houve longas formações oferecidas por jornalistas de Portugal e Brasil e dois técnicos de Cabo Verde e Itália; 12 jornalistas e animadores tiveram a possibilidade de fazer cursos e estágios em Burquina Faso, Zimbabwe, Angola, Portugal e Brasil. A aposta na formação continua sobretudo durante o trabalho: a Fundação Pró Dignitate apoia na formação dos jornalistas para que sejam ao serviço da verdade, objectividade e da paz.

Por esta aposta na formação profissional e técnica a RSM ganhou rapidamente credibilidade e audiência, tornando-se provavelmente a rádio mais escutada no país, e tendo os noticiários que são tomados como referência pela credibilidade, isenção e conteúdo. Uma rede de 40 correspondentes em todo o país permite dar voz aos que são excluídos do círculo da comunicação.

 

Acontecimentos importantes

Em Agosto de 2009, a Rádio Sol Mansi assinou um histórico acordo de colaboração com a Rádio Corânica de Mansoa. Rádio católica e rádio islâmica colaboram na formação e na realização de programas, tendo também esta particularidade (talvez única no mundo): a rádio católica transmite um programa islâmico, e a rádio islâmica, por sua vez, transmite um programa católico.

Em Setembro 2010 o Diretor da Rádio Sol Mansi foi convidado pela Universidade de Providence (EUA) para falar num Congresso acerca do papel das rádios em favor da paz, e em Setembro de 2011 o Diretor e mais dois jornalistas foram convidados a participar num Congresso em Portugal.

Em 2010 um jornalista da rádio ganhou o prémio de melhor jornalista desportivo do ano, enquanto a rádio ganhou o prémio de melhor Órgão Nacional na informação e sensibilização sobre o HIV/Sida; também um jornalista da rádio foi eleito como melhor jornalista nacional para os temas do HIV/Sida. A nível internacional a Rádio Sol Mansi tinha já recebido 2 prémios: Prémio Takunda (Itália 2005) como projeto mas inovativo nesta colaboração interreligiosa; Prémio Gabardi (Suíça – Itália 2008) pelo serviço à paz e desenvolvimento.

 

Colaboração com os organismos e associações

A Rádio Sol Mansi é muito acreditada a nível nacional pelos seus serviços e programas de qualidade. Muitos pedem espaços e produção de programas formativos e informativos: a RSM teve nesses anos acordos de colaboração com organizações das Nações Unidas (UNIOGBIS, UNICEF; PNUD), Cruz Vermelha, Sociedade civil, Iniciativa Voz de Paz, Cáritas Alemanha, ONG ABC, AMIC (direitos das crianças), PLAN International, Câmara de Bissau, INPS, Policia Judiciária (programa de luta contra a droga), Estado Maior do Exército (programa de educação cívica para militares), Ministério das Finanças, Fundação João Paulo II para o Sahel, FEC, Fundação Pró Dignitate (Portugal), AIDA (Espanha), Embaixada da Grã Bretanha, e mais outros.

Os noticiários são transmitidos em cadeia com 6 Rádios comunitárias, enquanto os programas de educação para a paz são transmitidos por todas as rádios comunitárias do país. O resumo da semana é retransmitido por 2 rádios de Cabo – Verde: Rádio Nova e MFM. As emissões da rádio Sol Mansi chegam até ao sul do Senegal e o Norte da Guiné Conacry e, muitas vezes, de noite na Gambia e em Cabo-Verde

Atualmente a rádio transmite das 6.30 às 23.00, com uma programação de informação, formação (educação, saúde, agricultura, direitos humanos, programas para as mulheres e as crianças, educação para a paz, religiões, educação ambiental, programas para os militares, cultura tradicional...) e animação. Os 3 estúdios trabalham ligados com uma programação comum e uma programação local em Bafatá na parte da tarde.

 

Uma Rádio Escola ao serviço da Paz

É fácil notar que muitas rádios depois da fundação e o acompanhamento inicial ficam soltas, sem mais nenhum acompanhamento e capacitação. Além dos inúmeros problemas económicos e técnicos, isto cria uma situação perigosa no processo de paz e estabilização do país. Pessoas com pouca formação tornam-se responsáveis de um meio de comunicação que, especialmente, em África tem um grande poder.

Por isso, em 2008 o estúdio de Mansoa começou a funcionar também como Rádio Escola, oferecendo semanas de formação prática para todas as rádios comunitárias da Guiné-Bissau (com uma média de 25 rádios a participar e mais do que 50 formandos cada ano). Já é constituída uma equipa local de formação dirigida pelo jornalista Mussa Sani. Esta equipa trabalha no terreno com mais de 25 rádios comunitárias, espalhadas pelos locais mais recônditos do país. A Sol Mansi associa-se nesse projeto a um importante movimento cívico, a Voz di Paz que integra diversos ex-políticos e intelectuais guineenses. Juntos, a rádio e a Voz di Paz desenvolvem esforços para diminuir a conflitualidade permanente que o país tem atravessado.

São formações de duas semanas cada, com jornalistas vindos de todas as rádios e que constituem a «voz» dos guineenses. Os temas: a linguagem pacificadora durante o período de preparação das eleições presidenciais, a independência e isenção do jornalista, os Direitos Humanos, o Direito Internacional Humanitário, a questão do género, o diálogo inter-religioso entre muçulmanos (maioritários) e os cristãos e a preparação de um programa de educação cívica para militares.

Depois da formação segue-se uma avaliação rádio por rádio, comunidade por comunidade, para sentirmos as dificuldades e aplicação do projeto nas comunidades. Cada aula que é dada em crioulo, através de exemplos práticos, torna-se uma escola para os formadores também, levando-os a conhecer a Guiné-Bissau na sua realidade: o problema do narcotráfico, a corrupção, os problemas das fronteiras, o complicado dossier militar e por aí fora.

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