FRENTE SOCIAL CONTRA A DECISÃO DO GOVERNO DE RETIRAR DO SISTEMA MÉDICOS EM ESTUDO DE ESPECIALIZAÇÃO POR CONTA PRÓPRIA
Frente Social que engloba os setores de saúde e da educação, considera de triste a decisão do governo de retirar do sistema, todos os médicos em estudo de especialização por conta própria no setor da saúde.
A posição da organização foi manifestada, hoje, durante uma conferência de imprensa que visa não só confirmar a greve iniciada hoje, e que deverá terminar no dia 11 do corrente, mas também posicionar-se face ao despacho nº 54 do primeiro-ministro do ano 2022.
No que tange ao pessoal que está a fazer a especialização por conta própria, o sindicalista também porta-voz da frente social, Ioio João Correia, disse não compreender como é que o governo consegue tomar uma medida discriminatória desta, afetando os dois setores em causa.
“ Quem tem a capacidade de formar a si mesmo, o estado devia aplaudir o gesto porque aquela pessoa vai ser útil para o sistema, mas não compreendemos o que está na base do governo decidir que vai parar de pagar todos os pessoais que estão a especializar por conta própria” diz lamentando que “ é muita pena (..) mas tudo indica que o governo está a fazer um procedimento desigual, quer dizer, neste momento, a decisão visa só saúde e educação”.
Por outro lado, Ioiô João Correia manifestou a sua discordância pela postura tomada pelo governo no que se prende com a situação de ensino de autogestão nas escolas públicas, o que a seu ver é feio, tomar uma decisão sem, no entanto, emitir um aviso prévio.
“Muitas vezes a autogestão tem como finalidade fazer face a greve, quer dizer, a consequência de uma má governação do país”, explicou.
Apesar de defender que estão contra a situação de autogestão nas escolas públicas do país, disse que o governo está querer fugir da sua responsabilidade, colocando-a sobre os ombros dos pais e encarregados da educação.
“ Desde cedo, mostramos que não estamos de acordo com a autogestão nas escolas públicas do país, porque percebemos que é uma forma do governo fugir da sua responsabilidade colocando-a sobre os ombros dos pais e encarregados da educação que muitas vezes faltam condições para dar alimentação básica aos seus filhos, independentemente das propinas”, acusou.
No que concerne a redução dos assessores e conselheiros governamentais, a Frente Social pede que seja produzida um despacho que estaria na posse do povo, e onde se pode compreender o número desse pessoal nos departamentos governamentais, e deixar bem claro que o governo estava a tentar enganar de novo o povo.
Governo guineense toma medidas para conter défice orçamental
O Governo decidiu suspender novas entradas de professores no setor da educação e retirar do sistema os médicos que estão a fazer especializações por conta própria, segundo um despacho a que Lusa teve hoje acesso.
As medidas são explicadas no "quadro dos esforços internos empreendidos a todos os níveis, bem como nos diferentes setores da governação para conter o défice orçamental e na perspetiva de uma possível retoma do programa (financeiro) ou acordo com o Fundo Monetário Internacional", refere-se no despacho, assinado pelo primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabiam.
No despacho, o primeiro-ministro guineense refere que o executivo decidiu suspender a admissão de novos ingressos e retirar da base de dados 568 professores das escolas de regime de autogestão (privadas).
No setor da saúde, o Governo retira do "sistema todos os médicos em estudo de especialização por conta própria e, em consequência, a suspensão dos referidos salários" e suspende os "salários de funcionários em situação de licenças prolongadas".
O executivo determinou igualmente a regularização dos fundos coletados pelo Tribunal de Contas, que vão passar a ser transferidos para a "Conta Única, sediada no Tesouro Público".
Por: Diana Bacurim
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