CPLP. PRESIDÊNCIA GUINEENSE DA ORGANIZAÇÃO EM 2025 CONTINUA A GERAR CRÍTICAS
O politólogo guineense, Rui Jorge Semedo, é da opinião também de que com o atual contexto político, a Guiné-Bissau não pode assumir a presidência rotativa da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP), em julho do próximo ano.
“Nada contra a Guiné-Bissau, mas neste momento, não está a viver a democracia, não só nós, enquanto observadores da dinâmica política, mas próprios atores políticos, líderes das principais formações políticas inclusive com assento parlamentar não reconheceram a Guiné-Bissau neste momento como um estado onde as leis, normas e democracia tem o espaço, então quando as pessoas estão a governar o país assim, a consequência é exactamente este, embora esta vergonha nos abrange”, diz o analista políticos no programa “Caso de Semana” do último sábado, ao analisar as declarações do secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), que afirma que a Guiné-Bissau "não está em condições" de receber a Cimeira da CPLP, devido à instabilidade política com que se confronta.
Rui Jorge Semedo entende que “a CPLP e a CEDEAO são as comunidades de vergonha, porque os responsáveis não se exigem uns aos outros para o comprimento das normas democráticas. Quando foi pronunciado que a Guiné-Bissau iria assumir a presidência, eu disse que a CPLP continua a ser uma hipocrisia, porque se uma das condições para integrar a CPLP tem que ser um país democrática, -muito embora não conseguiram fazer que a Guiné -Equatorial entre na dinâmica,- não é possível com tudo o que está ser vivida na Guiné-Bissau, com a dissolução do parlamento de forma inconstitucional, sequestro do Supremo Tribunal de Justiça, abusos de poder, restrição de liberdade de manifestação e de imprensa, e depois trazer este tipo de evento a Guiné-Bissau.. permitindo isso, está-se a evocar que as autoridades estão num bom caminho, no entanto, felizmente há um membro da CPLP que questionou, agora obviamente é necessário que todos fazem uma reflexão mas também a própria comunidade como a CPLP, CEDEAO, ONU e outros parceiros multilateral a fazerem reflexão sobre contexto político na Guiné-Bissau”.
As declarações do ex-chefe do Governo timorense já mereceram, alguns dias atrás, a reação da presidência guineense, que segundo uma nota lida por Fernando Delfim da Silva, Conselheiro do presidente Embaló, considerou de uma "desconsideração ao Estado Guineense" as declarações deste responsável da Fretilin, sobre quem disse: "foi recebido e protegido" na Guiné-Bissau "nos momentos mais difíceis da luta do povo timorense pela sua independência."
Para o politólogo guineense, Rui Jorge Semedo, “ o importante é que a presidência da República reflita profundamente, porque quando um indivíduo, dois, três não sei quanto, tanto interno como fora estão a questionar o exercício do seu poder, então tens que reflectir profundamente para poder corrigir caso contrário vai continuar a ter problemas enquanto não alinhar com os princípios democráticos”.
Também este fim-de-semana, o Primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, considera que a Guiné-Bissau passou dos golpes de Estado para golpes presidenciais desde 2014, defendendo que a CPLP tem sido demasiado passiva e deve exigir "mudanças radicais" na Guiné-Bissau.
Gusmão afirmou ainda que a CPLP "tem tido um papel demasiado passivo" em relação às sucessivas crises políticas na Guiné-Bissau.
A Guiné-Bissau vai assumir a presidência rotativa do bloco lusófono em julho de 2025, com a realização da cimeira de chefes de Estado em Bissau.
Por: Braima Sigá
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