HOMILIA DO BISPO DE BISSAU, NA OCASIÃO DA CONSAGRAÇÃO DA IGREJA DE ANTULA

Excelência Senhor Presidente da República, Dr. José Mário Vaz,

Excelência Primeira-dama, Sra. Maria Rosa Teixeira Goudiaby Vaz,

Caro irmão no episcopado, D. Pedro Zilli,

Distintas autoridades civis e religiosas,

Reverendíssimos missionários e missionárias que trabalharam nesta paróquia e para esta paróquia,

Reverendíssimos irmãos e irmãs da equipa missionária desta paróquia,

Caríssimos voluntários e benfeitores,

Ilustres convidados,

Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo,

Que o Senhor nos edifique a todos e abençoe a nossa Igreja!

Hoje, a Igreja celebra a Festa da Sagrada Família. Aquela família, através da qual, o próprio Deus quis habitar entre nós, assumindo a natureza humana a fim de fazer de todos aqueles que crêem n’Ele filhos e templos vivos de Deus.

Caros irmãos e irmãs,

Permitam-me saudar Sua Excelência o Senhor Presidente da República, na sua qualidade de pai da Nação guineense, e desejar-lhe sucesso na luta pela edificação de uma verdadeira família entre os guineenses e todos aqueles que vivem e trabalham nesta terra abençoada.

Excelência,

A sua presença honra a nossa celebração e quero, em nome de toda a Igreja da Guiné-Bissau, agradecer a Deus pelas excelentes relações que existem entre as nossas duas instituições.

Na sua pessoa, quero agradecer ao Estado guineense pela colaboração com a Igreja na construção de uma verdadeira família onde a dignidade da pessoa humana é respeitada. Com efeito, a Igreja tem investido muito não só na evangelização desta Nação, mas também na formação e na saúde, com o objetivo de ajudar-nos a compreender que somos todos filhos de Deus e, por conseguinte, irmãos. Temos a mesma dignidade.

A realização da nossa missão tornou-se e torna-se mais fácil graças à colaboração do Estado. Fazemos votos para que juntos continuemos a colaborar na construção da família guineense para que todos possam realmente compreender que somos filhos e filhas de Deus. Pois, o homem não só vive de pão, mas também da palavra de Deus.

A distinção entre a Igreja e o Estado não comporta sua total separação. Certamente a Igreja não pode e nem deve substituir o Estado. Mas tão-pouco pode e nem deve permanecer à margem, na luta pela construção de uma Nação. Aliás, a realidade de colaboração entre o Estado e a religião na construção de uma verdadeira Nação não é um dado novo. A primeira leitura que acabámos de ouvir mostra-nos claramente que para a reconstrução da identidade do povo hebreu, Neemias, o governador, e o Sacerdote Esdras tiveram que colaborar e conseguiram reconstruir a nação.

Pedimos a Deus, por intercessão de São Francisco, o irmão universal, que nos ilumine na construção da grande e bela família guineense para que sejamos todos tementes a Deus, templos vivos do nosso Criador.

Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo,

Reunimo-nos precisamente esta manhã, nesta nova, grande e bela igreja de Antula, não só para fazer dela a casa de oração e local de encontro com os irmãos, mas também para dar graças a Deus pela semente da Palavra que os missionários semearam nos nossos corações e que fez de cada um de nós templo vivo de Deus. De facto, a consagração de uma igreja recorda-nos sempre a consagração dos nossos corações a Deus.

A primeira leitura tirada do livro de Neemias, situa-nos mais ou menos no ano 398 a.C. Depois do exílio na Babilónia onde uma boa parte dos hebreus viveu sem templo, sem terra e sem rei, os que regressaram do cativeiro, decidiram, pela ocasião da festa das trombetas, reunir-se à volta de Esdras para escutar a palavra de Deus. É interessante notar que, antes de qualquer manifestação, o povo quis que o sacerdote Esdras lesse primeiramente a palavra de Deus. Aos olhos destes hebreus regressados do exílio onde viveram longe do Senhor, não se podia restabelecer as festas sem antes restabelecer a autoridade da palavra de Deus. Pois, compreenderam que a palavra de Deus deve ser bússola que norteia a vida de cada fiel. Aliás, foi exatamente o que São Francisco de Assis, padroeiro da nossa igreja, compreendeu e procurou viver. No seu testamento, São Francisco declara: “E depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me ensinava o que deveria fazer, mas o próprio Altíssimo me revelou que deveria viver segundo a forma do santo Evangelho” (Testamento nº 14).

Caríssimos irmãos e irmãs,

tanto o livro de Neemias assim como a experiência cristã do nosso padroeiro São Francisco revelam-nos que a Palavra de Deus recria, liberta, ilumina o ser humano e deve ser o fundamento de todo fiel e de qualquer comunidade reunida em nome do Altíssimo. Ela deve ser a rocha da nossa vida e luz para os nossos passos. É precisamente o que São Paulo nos diz na segunda leitura tirada da primeira carta aos Coríntios. O Apóstolo apresenta Cristo, Palavra Incarnada do Pai, como fundamento de qualquer comunidade cristã, declarando: “Ninguém pode pôr nenhum outro fundamento que não seja aquele que já está posto: Jesus Cristo” (1Cor 3, 11).

Paulo mostra assim que é só aderindo a Jesus e vivendo o seu Evangelho, que é único, é que poderemos formar e viver a verdadeira fraternidade.

É com um sentimento de gratidão que quero afirmar aqui que este foi e é o espírito que animou e anima todos os missionários e seus colaboradores que cá trabalharam e trabalham. O alicerce, o fundamento desta comunidade cristã de Antula é Jesus Cristo.

Como nos recorda o Apóstolo Paulo, cabe à nossa comunidade ser o verdadeiro templo de Deus, a morada de Deus aqui em Antula. Isto é, devemos ter uma união íntima com Deus. Pois, se Cristo é nosso fundamento, não pode haver divisão entre nós. Não pode haver divisão entre grupos e movimentos da mesma paróquia. Se Cristo é nosso fundamento, os membros do mesmo grupo não podem andar divididos. Pelo contrário, se reconhecemos Cristo como nosso fundamento, devemos ser uma só família, apesar das nossas diversidades, e procurar testemunhar essa comunhão.

Se Cristo é nosso fundamento, devemos ser testemunhas da união para todos os que andam divididos e anunciar-lhes o Evangelho da fraternidade. Não podemos pactuar com a divisão.

Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo,

a história do nosso povo e os trabalhos do nosso sínodo diocesano mostram-nos que a comunidade cristã é chamada a aderir incondicionalmente à pessoa de Jesus e a propô-Lo a este povo como sua Luz e Salvação. De facto, as nossas comunidades devem ser realmente lugares da presença de Deus. As nossas famílias, os nossos grupos e movimentos devem ser lugares da presença de Deus. Só assim é que a nossa terra será realmente lugar da presença de Deus.

No episódio da expulsão de vendedores do templo, o evangelista João mostra que a igreja deve ser um lugar de oração e da presença de Deus. Por isso, quando entramos numa igreja, devemos favorecer o clima de silêncio e ter presente que estamos na casa de Deus e que a nossa atitude deve ser aquela de adoração. A nossa maneira de nos vestirmos e de nos comportarmos dentro da igreja deve refletir esse nosso sentimento de respeito devido ao lugar sagrado.

No entanto, não devemos esquecer que o verdadeiro templo de Deus somos nós. Por isso, somos convidados a deixar Jesus entrar nos nossos corações a fim de expulsar de nós a falta de fé, de perdão e da comunhão fraterna. Pois, Jesus quer que os seus fiéis encarnem as opções de Deus que liberta do mal, da corrupção, da injustiça, da exploração e da divisão. Deixemos que Jesus nos liberte de todo o mal, de tudo o que nos impede de sermos realmente morada de Deus.

Esta igreja magnífica e resplandecente é um convite a fazer dos nossos corações lugares magníficos e resplandecentes onde mora Deus. Deixemo-nos habitar pelo nosso Deus e não nos deixemos roer pelo mal.

Caríssimos irmãos e irmãs,

Os textos que nos foram propostos hoje para a nossa meditação revelam-nos que a Palavra de Deus está no centro do templo e deve estar no centro da nossa vida, nós que somos templos vivos de Deus. Nenhuma comunidade cristã se constrói sem a palavra de Deus. Pois, Jesus, a Palavra Encarnada e Verdadeiro Templo de Deus, é o fundamento de toda a comunidade cristã. É o fundamento da nossa vida. Por isso, devemos alimentar-nos da Palavra de Deus, se queremos realmente fazer parte do Corpo Místico de Cristo e ser testemunhas da Boa Nova.

No seu discurso à Associação Bíblica Italiana, o Papa Francisco afirma que a fé, para resplandecer, para não ser sufocada, deve ser alimentada constantemente pela Palavra de Deus. Por isso, alimentemos constantemente a nossa fé, por exemplo, através da leitura meditada (Lectio Divina) diária da Palavra do nosso Deus.

Peçamos ao Pai Eterno, por intercessão de São Francisco, que esta igreja seja para todos uma casa de oração e de adoração e que cada fiel seja templo vivo de Deus no meio dos homens. Assim seja!

Dom José Câmnate na Bissign

Bispo de Bissau

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