GUINÉ-BISSAU HÁ MAIS DE 30 ANOS SEM INVENTÁRIO FLORESTAL

O mundo celebra, esta segunda-feira, 21 de Março, o dia das florestas. Na Guiné-Bissau, a data está a ser celebrada numa altura em que ninguém tem uma ideia da real situação florestal sendo que há 30 anos que a Guiné-Bissau não produz um inventário florestal.

Numa entrevista à Rádio Sol Mansi, obre este dia mundial que desperta a atenção das pessoas sobre a pertinência de preservação da floresta, o engenheiro florestal e, igualmente antigo diretor-geral das florestas e faunas da Guiné-Bissau, Constantino Correia, defende a necessidade urgente de um inventário florestal ou diagnóstico florestal ainda este ano para compreender a real situação da floresta guineense.

“Não temos a mínima ideia da real situação das nossas florestas. Uma pesquisa feita em 1992 demonstra que o país tem um défice de 83 mil metros cúbicos por ano”, explica o engenheiro florestal que alerta as autoridades a fazerem um inventário florestal ainda neste ano de 2022.

Em 1971, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) sugeriu a criação do dia mundial das florestas. A celebração surgiu no intuito de reforçar a importância e a necessidade de se preservar os ecossistemas florestais e todos os demais para o desenvolvimento sustentável.

Na Guiné-Bissau, apesar da corte desenfreada das florestas nos anos 2012 a 2014 e a não realização do inventário florestal há mais de três décadas, Constantino Correia denuncia que as autoridades estão a abrir possibilidade de concessão para exploração dos recursos florestais nas regiões de Oio (norte), Bafatá e Gabú (leste), as mais “sacrificadas” com corte abusiva registada nos anos atras.

Constantino denuncia ainda que está em curso a perspetiva para abrir 2 conceições em Oio, 1 em Bafatá e 1 em Gabú, exatamente nas zonas onde o país tem maiores problemas de florestas.

“Existem preocupações maiores em ganhar dinheiro rapidamente e apenas um pequeno número de pessoas beneficia destes valores monetários”, afirma.

As opiniões são praticamente unânimes de que as regiões da zona leste são as mais sacrificadas com a corte desenfreada dos recursos florestais, sobretudo a espécie pão-de-sangue.

Sobre essa denúncia, a RSM tentou, mas sem sucesso até agora, obter a versão da Direcção-Geral das Florestas e Faunas sobre possível início de conceição para exploração dos troncos nas três regiões mencionadas.

Em 2020 a deliberação do Governo de instituir um regime excepcional para o abate e exploração de algumas espécies da floresta nacional, colocando um fim à moratória de cinco anos, de 2014, gerou controvérsia entre autoridades e activistas ambientais.

Entretanto, não obstante a invasão brutal das florestas para exploração dos troncos, o país ainda conta com zona de reserva florestal. Ou seja, a zona em que não houve corte abusivo dos troncos, referimos neste caso a zona florestal de Cantanhéz, sul do país.

Entrevistado pela RSM, o director do Parque Nacional de Cantanhéz, Queba Quecuta, confirmou que realmente a zona não sofreu a corte abusivo para exploração de madeira.

“Naquele período tivemos sorte, porque tivemos informação de invasão de pessoas que iam cortar as árvores e, prendemos 06 motosserras”, explica Quecuta sustentando que aquela zona também não tem muitas espécies de pão-de-sangue e o fato não atraiu muitos olhares.

Neste momento, segundo o director do parque, há uma forte pressão das pessoas na criação de novas aldeias, devastação para implantação do pomar, sobretudo dos cidadãos da vizinha Conacri.

Parque Nacional de Cantanhéz é um parque que tem as suas evoluções desde meado de 90, após a fundação do Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas em 2004. O Parque Nacional começou a ser reconhecido em 2008, um ano depois o Governo oficializou-lhe como um parque nacional e em 2011 através de um decreto presidencial passou a ser Parque Nacional de Cantanhéz.

 

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Braima Sigá

Escreva à RSM

email Entre em contato com a Rádio Sol Mansi.

Continuar

Ajuda RSM

helpContribua para a manutenção dos nossos equipamentos e a formação da nossa equipa.

Ajuda

Subscreva notícias

© Radio Sol Mansi
Cookie Policy | Privacy Policy

Questo sito fa uso di cookie per migliorare l’esperienza di navigazione degli utenti e per raccogliere informazioni sull’utilizzo del sito stesso. Leggi di più