RELATOR DA ONU DIZ QUE APENAS 24% DA POPULAÇÃO GUINEENSE TÊM ACESSO À ÁGUA POTÁVEL DE FORMA SEGURA
O relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos à Água e Saneamento, Pedro Arrojo-Agudo, afirma que apenas 24% da população da Guiné-Bissau tem acesso a água potável gerida de forma segura.
A afirmação foi feita no princípio da tarde desta quarta-feira em Bissau durante uma conferência de imprensa que teve como propósito a partilha das suas conclusões e recomendações preliminares sobre a situação da água e saneamento na Guiné-Bissau após uma visita de 10 dias nas diferentes regiões do país.
Segundo o mesmo documento, apenas 24% da população da Guiné-Bissau têm acesso a água potável gerida de forma segura, 15% têm saneamento gerido de forma segura e apenas 20% têm instalações de higiene com sabão em casa.
Consta ainda que as redes de abastecimento de água estão limitadas a partes de Bissau e a algumas capitais regionais. Além disso, não existem redes de esgotos, nem mesmo nas zonas urbanas.
O relator especial da ONU para Direitos Humanos à Água e Saneamento diz constatar ainda que a falta de cloração e desinfeção da água potável é comum e que o mau estado das escassas redes de água e a manutenção inadequada resultam em problemas significativos de fugas.
Para reduzir este problema, o relator disse que a água é fornecida de forma intermitente, o que permite a entrada de contaminantes nos pontos de fuga quando a pressão diminui.
"Em geral, mesmo nos bairros urbanos, a água de rede, das fontes públicas e dos poços não é tratada e não é segura para beber", lê-se no mesmo documento na posse da RSM.
Ainda o relator que se encontra no país há dez dias, desafia a Guiné-Bissau a dar mais prioridade aos direitos à água potável e saneamento como uma questão nacional critica, especialmente à luz das duras realidades das alterações climáticas, prestando especial atenção aos mais vulneráveis.
O documento fala não só da realidade vivida em Bissau nas escolas, casas, hospitais e centro de saúde e prisão que considera de desumano as condições, mas também das realidades de Bafatá, Gabú e Tchethé, na zona leste, Djobel e São Domingos, zona norte.
Segundo o relator especial da ONU para Direitos Humanos à Água e Saneamento, a ausência de instituições municipais na Guiné-Bissau é preocupante, uma vez que na maioria dos países, são elas que gerem os serviços de Água e Saneamento e sustenta que os governos locais que estão diretamente ligadas às suas comunidades são urgentes necessários.
Embora seja necessária uma reforma abrangente, ela aponta a necessidade de se evitar a criação de redundâncias burocráticas se as atuais estruturas do governo central forem mantidas.
Durante a estadia no país, o relator especial da ONU para Direitos Humanos à Água e Saneamento manteve encontro com o presidente Umaro Sissoco Embaló e com diferentes membros do governo, organizações da sociedade civil e a população das comunidades.
A RSM sabe ainda que o relatório final será publicado no mês de junho e será apresentado em setembro, em Genebra, Suíça.
Por: Diana Bacurim
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