A Guiné-Bissau conseguiu bater o recorde da sua história e conseguiu ter um presidente da República que completou os cinco anos de mandato. Os cinco anos foram marcados por críticas e elogios dos guineenses

Passaram 5 presidentes eleitos, mas que acabaram por ver os seus mandatos interrompidos por golpes de Estado e outrora por assassinato e/ou por interrupção pela morte. Este facto remonta desde a abertura democrática, em 1994.

O mandato do presidente foi registado com profundas crises cíclicas que começaram logo depois de 6 meses da sua investidura. Em período de cinco anos, a Guiné-Bissau conheceu 7 primeiros-ministros, isto depois da demissão do governo legítimo saído das eleições legislativas de 2014, liderado por Domingos Simões Pereira (DSP). A crise foi sentida ao nível da economia nacional.

Durante os cinco anos do mandato de JOMAV, como também é conhecido o presidente, o país conheceu sanções da CEDEAO a 19 individualidades próximas ao presidente, incluindo o seu filho, Herson Vaz.

A demissão e nomeação de três Procuradores-Gerais da República, a manifestação nas ruas para exigir a sua renúncia, nulidade parcial do ano lectivo 2018/19 e entre outros factos que marcaram os cinco anos inéditos de um mandato presidencial que terminou ontem (23).

Por várias vezes, as organizações internacionais, cuja Guiné-Bissau está inserida, vieram para tentar mediar a situação política e até ameaçaram punir a Guiné-Bissau, mas mesmo assim, estas pressões internacionais não fizeram recuar as partes em conflito.

Desde o dia da posse do governo de DSP, a 04 de julho de 2014, a quem já previa que o discurso do PR era claro e que poderia haver desentendimento entre as duas entidades do país (presidência e prematura).

Entretanto, para a demissão do governo de DSP, a 13 de agosto 2015, onde a crise começou, JOMAV referenciou o nepotismo e a degradação da situação social no país. O decreto da demissão saiu por volta das 23 horas daquele dia, cujas ansiedades eram altas.

JOMAV acusava o Governo de corrupção e falta de transparência. No decreto em que dissolve o Governo, José Mário Vaz, considerava que a remodelação do Governo não seria suficiente para manter aquele Governo em funcionamento.

JOMAV disse que o povo guineense é capaz de resolver os seus problemas e não deve deixar a interferência internacional, tendo em conta o impacto da crise na vida das pessoas.

Antes do derrube, as populações estiveram divididas sobre a pertinência ou não do acto. Várias manifestações foram feitas e inclusive na Presidência da República, onde a maioria das manifestações foi liderada por Movimento dos Cidadãos Conscientes e Inconformados.

Desde aquela altura, o país conheceu vários governos que acabaram por não chegar ao fim e que também acabaram por criar roturas em alguns partidos políticos, que igualmente motivaram o surgimento da segunda maior força parlamentar Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15).

O presidente tinha prometido na campanha eleitoral fazer uma dupla “DSP/JOMAV” que iria trabalhar para o desenvolvimento nacional.

Certo é que as vozes divergem em relação aos cinco anos de mandato de JOMAV, uns sustentam que o mandato do PR foi positivo e para os outros está longe das expectativas dos guineenses.

No mesmo período, o presidente, no dia 25 de Março de 2017, procedeu o lançamento da primeira pedra para a construção da estrada Buba/Catio, cuja obra está na fase final e deve ser entregue ainda este ano.

Ao declínio do seu mandato, o povo guineense foi chamado às urnas para escolher os seus representantes para a 10.ª legislatura. Entretanto, neste sábado, JOMAV acabou por nomear Aristides Gomes depois de ter recusado o nome de DSP proposto pelo PAIGC.

No dia da investidura dos deputados, instalou-se uma nova crise no parlamento em relação à rejeição do nome de Braima Camará para o cargo do segundo vice-presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP). No entanto, Vaz sustentou em várias ocasiões que só nomearia um novo primeiro-ministro depois de ter sido resolvido o impasse na casa do povo.

Depois de pedir o nome ao PAIGC, o partido vencedor das legislativas, este acabou por mandar o nome do seu líder DSP, que foi rejeitado pelo presidente da República e voltou a pedir outro nome ao PAIGC e este mandou de novo o nome de DSP.

O presidente tinha garantido aos jornalistas a 10 de maio de que não teria problemas em nomear DSP ao cargo do primeiro-Ministro, caso este for indicado pelo seu partido.

Nesta sequência, as missões internacionais que estiveram no país exortaram a nomeação de um governo legítimo antes do fim do mandato do presidente, neste domingo (ontem 23 de Junho). Dado que, neste sábado, foi escolhido o nome de Aristides Gomes para desempenhar o cargo do PM durante os próximos 4 anos.

É na era do presidente Mário Vaz que a Guiné-Bissau participou pela primeira vez no Campeonato Africano das Nações (CAN). Um dia antes do jogo, o presidente da República, numa viagem de volta à Guiné-Bissau, foi ao Gabão para incentivar à equipa da casa comandada por mister Baciro Candé.

Depois de a equipa ter participado no CAN e apesar de não ter atingido os objectivos iniciais, o presidente reafirmou que colocaria uma viatura marca “Prado” na porta de cada jogador da selecção nacional.

Passado dois anos depois, numa conferência de imprensa, Mário Vaz nega que tenha prometido viaturas aos jogadores, defendendo que as suas palavras foram deturpadas.

A 30 de Dezembro de 2018 o presidente esteve na inauguração da Igreja Católica em Antula, uma ocasião que serviu para o chefe de Estado pedir a unidade entre os guineenses, partindo da experiência da unidade que se vive na Igreja Católica.

Em 2015, o presidente havia lançado, por sua iniciativa o projecto “Mão na Lama” que em 2017 se transformou na sua fundação que agora ajuda as pessoas com sementes agrícolas com intuito de as incentivar na prática de agricultura para que os guineenses tenham as suas próprias autossuficiências alimentar.

Entretanto, analisando os 5 anos da presidência de JOMAV, o politólogo e comentador da Rádio Sol Mansi (RSM) para os assuntos políticos, Rui Jorge Semedo, disse que o mandato do presidente é negativo, justificando que não procedeu a inauguração de nenhuma infraestrutura e a nomeação dos sucessivos governos só trouxeram atrasos à Guiné-Bissau.

Rui Jorge, fala ainda do facto de o presidente atrasar em nomear um novo governo de acordo com o desejo dos guineenses e dos parceiros internacionais.

Algumas vozes destacam a não interrupção do mandato do Presidente da República por parte das Forças Armadas, o não espancamento político, contudo em diversas vezes as autoridades teriam proibido a realização de algumas manifestações nas ruas incluindo as dos alunos que exigiam a reabertura das aulas nas escolas pública do país.

Ainda na reportagem especial sobre os cinco anos de mandato de José Mário Vaz, a RSM saiu às ruas e registou opiniões de diferentes camadas da sociedade guineense. Para os entrevistados, os cinco anos foram caracterizados por tranquilidade e liberdade de manifestações, não obstante ter havido algumas restrições condenáveis.

Mesmo assim, os citadinos dizem que o presidente teve aspectos negativos que acabaram por condicionar a vida pública. Acusam o presidente de exercer o papel de executivo e acabou por travar o país durante os cinco anos.

Alguns sustentam que desde as primeiras eleições em 1994, JOMAV foi quem mais violou a constituição da república.

Na sociedade guineense o impacto também foi sentido ao nível da educação, saúde e economia. Segundo o sociólogo guineense, Dautarin da Costa, numa entrevista à RSM, a sociedade guineense já não confia nas autoridades nacionais pelo facto da sua impotência e isso traduz em violência e ódio.

O sociólogo sustenta ainda que durante os cinco anos não houve impactos positivos na sociedade, porque, o presidente não honrou com as suas responsabilidades constitucionais e criou retrocesso histórico e dividiu os guineenses.

A sociedade guineense ainda espera por dias melhores. O certo é que ainda o país não conheceu um novo elenco governamental e as datas das presidenciais já foram marcadas para 24 de Novembro próximo. Até lá, os sindicatos intensificam a greve exigindo a melhoria das condições laborais na Administração Pública, numa altura em que a directora do BCEAO alerta que as greves têm impactos negativos na vida económica do país.

A esperança de um dia melhor sustenta a convicção e a determinação dos guineenses em ver o país marchar pelo rumo almejado, depois da nomeação, neste sábado, de Aristides Gomes. Certo é que JOMAV é o primeiro Presidente a chegar ao fim do mandato, agora espera-se que este seja o caminho a tomar.

 

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Braima Sigá

Podcast

podcast

Escute quando quiser as emissões da Rádio Sol Mansi.

 

 

 

Ouvir

Escreva à RSM

email 

Entre em contato com a Rádio Sol Mansi.

Continuar

Ajuda RSM

helpContribua para a manutenção dos nossos equipamentos e a formação da nossa equipa.

Ajuda

Questo sito fa uso di cookie per migliorare l’esperienza di navigazione degli utenti e per raccogliere informazioni sull’utilizzo del sito stesso. Leggi di più