GUINÉ-BISSAU CAMINHA PARA ANALFABETISMO FUNCIONAL, diz Lamine Sonco
O Mestre em Ciências de Educação aponta hoje (08-11) para um maior índice do analfabetismo funcional no país.
Convidado pela Rádio Sol Mansi a propósito da segunda vaga de greve da Frente Social, que engloba os sindicatos da Educação e da Saúde iniciada esta segunda-feira com a duração de cinco dias, exigindo do governo a revogação do despacho que suspendeu as novas contratações nestes dois setores sociais do país, o pagamento de salários em atraso, e a melhoria de condições laborais.
Lamine Sonco, considera de desmotivante por parte dos alunos, a situação das aulas nas escolas públicas do país.
“A questão de funcionamento das aulas nas escolas públicas do país, com certos números de professores, constitui uma grande desmotivação por parte dos alunos, portanto cada vez mais os alunos não vão estar preparados para enfrentar as novas realidades, sendo assim, está a aumentar o número de analfabetismo funcional no país”. Explicou.
O docente universitário, Lamine Sonco, reconhece que os sucessivos greves no país, têm contribuído para o aumento de analfabetismo na sociedade guineense.
“Há 20 anos atrás nunca houve concesso entre governo e os sindicatos, a consequência disso é que está a contribuir no aumento de analfabetismo na sociedade guineense”. Reconheceu.
Na mesma entrevista o docente universitário, disse que é preciso um plano sério do governo para acabar com atual situação nos setores da educação e da saúde pública guineense.
“Perante esta situação que acaba muitas das vezes a dar razão aos sindicatos, relativamente a questões de pagamentos de salários melhorias de condições laborais, portanto governo tem que criar um plano sério para conter esta situação das constantes greves no país”. Afirmou.
A Frente Social iniciou esta segunda-feira (07-11) uma paralização nos setores da educação e da saúde exigindo do governo a revogação do despacho que suspende as novas contratações nestes dois setores, a melhoria de condições laborais e entre outros pontos.
Esta semana o Governo em conselho de ministros, decidiu suspender novas entradas de professores no setor da educação e retirar do sistema os médicos que estão a fazer especializações por conta própria.
No despacho Nº 54/22 datado de um de Novembro, assinado pelo primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabiam, consta que as medidas são aplicadas no quadro dos esforços internos empreendidos a todos os níveis, bem como nos diferentes setores da governação, para conter o défice orçamental e na perspetiva de uma possível retoma do programa com o FMI.
No despacho, o Primeiro-Ministro pode-se ler, que o governo decidiu suspender a admissão de novos ingressos e retirar da base de dados 568 professores das escolas em regime de autogestão.
No setor da saúde, o governo retirou do sistema, todos os médicos em formação de especialização por conta própria e, em consequência, a suspensão dos referidos funcionários e a consequente corte dos seus salários assim como dos funcionários em situação de licenças prolongadas.
Esta segunda-feira, em reação a nova decisão governamental, a Frente Social que engloba os sindicatos da Educação e Saúde, considera de triste a decisão do governo que retira do sistema, todos os médicos encontrados em estudo de especialização por conta própria.
Por: Ussumane Mané
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