Uma disputa entre os altos responsáveis políticos e militares, por alegado envolvimento de uns e de outros no tráfico de armas para os rebeldes da Casamança, era apontada oficialmente como o ponto de discórdia entre Ansumane Mané e Nino Vieira, velhos camaradas de armas desde os tempos da luta contra a ocupação colonial.

E que veio a desembocar num conflito armado que durou 11 meses, tendo terminado com a deposição do então Presidente João Bernardo "Nino" Vieira. A Junta Militar, que se constituiu na altura, comandada pelo brigadeiro Ansumane Mané, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, demitido dias antes, reclamava a reposição da justiça no país.

A guerra de 7 Junho começou, como um simples levantamento militar, numa madrugada de domingo que pareceria ser tranquila. Passados 21 anos, o país ainda vive constantes momentos de instabilidades e desde 2015 que o país mergulhou em mais uma crise politica, a esperança de um dia melhor continua a sustentar os dias da incerteza dos guineenses

Os dias sombrios de 7 de Junho continuam vivos nas memórias dos guineenses que a maioria diz não entender até agora os factores que motivaram a guerra civil que matou milhares de pessoas.

Ouvida pela RSM, uma das pessoas que esteve no CIFAP no dia em que a bomba matou quase uma centena de civis, diz que ainda sente na pele trauma vivida presenciando a morte de várias pessoas. Esta cidadã diz que ainda sente medo de chegar perto do CIFAP, pois ainda vivera todo o momento de antes de após o massacre.

A tragédia de CIFAP- Bissau também fora presenciada por padre Joan Martelli que explica que a bomba que matou 74 pessoas incluindo uma criança que acabara de nascer teria caído por volta das 7h da manhã e que no seu entender não eram lançadas de forma intencional para CIFAP mas provavelmente para marinha nacional…

Testemunho do padre João Martelli que assistiu a maior tragédia de sempre no Centro de Formação Profissional e Artesanal (CIFAP), espaço religioso onde se abrigaram milhares de pessoas que fugiram dos bombardeamentos no dia em que a junta militar tomou de assalto o resto do território que era ocupado pelos militares fiéis ao Nino Vieira.

Milhares de pessoas entre civis e militares (guineenses, senegaleses e guineenses de Conacri) morreram durante os 11 meses da guerra que também motivou vários deslocados. As consequências igualmente também foram sentidas ao nível da fauna, agora, vários animais desapareceram em consequência da guerra de 7 de Junho.

O impacto do conflito militar é sentido a nível social. O sociólogo guineense, Dautarim Costa, diz que ainda prevalece o medo e a incerteza de uma instabilidade definitiva entre os guineenses. Para o sociólogo, a guerra - cujo propósito claro ainda não foi conhecido - abriu precedentes para futuras alterações constitucionais que acabam por ser impunes.

Já na política, segundo o politólogo Rui Jorge Semedo, comentador da RSM, depois da guerra o país continua a viver ciclos de instabilidade e a guerra acabou por desestruturar as institucionais nacionais democráticas que estavam em fase embrionária. Segundo Rui Jorge, a guerra fez aumentar as acções violentas porque armas continuam por controlar nas mãos dos civis.

No entanto, para entender o impacto do conflito de 7 de Junho na história nacional, a RSM falou com o director interino do INEP igualmente historiador e Antropólogo, João Paulo Pinto Có.

Para o historiador as consequências da guerra continuam presentes na fragmentação de Estado, na sociedade e na política.

Uma das personalidades que ajudaram as populações a enfrentarem os momentos da incerta foi o então bispo da Igreja católica Dom Septímio Arturo Ferazzetta, que chamou atenção na necessidade de trabalhar o coração dos Homens.

Passados 21 anos, o seu sucessor, Dom Camnaté na Bissign, numa missão que lembra as mortes em CIFAP, lembra que as causas da guerra ainda não foram eliminadas da Guiné-Bissau e foca os factores como impunidade, violação dos direitos humanos e pobreza.

As tropas de Guiné-Conacri e Senegal sustentaram os 11 meses da Guerra de 7 de junho que deixou marcas na alma e na memória dos guineenses, tendo Polon di Brá, árvore de grande significado para os guineenses, simboliza o derramamento de sangue durante este sangrento conflito.

 

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos

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